SsangYong vai redobrar a sua aposta no Dakar 2019

SsangYong vai redobrar a sua aposta no Dakar 2019

Carrocel, Dakar

SsangYong vai redobrar a sua aposta no Dakar 2019

SsangYong redobra a sua aposta no Dakar e aspira a correr com 2 ou 3 carros em 2019

Adiantou ontem o “Marca” e anunciando que Óscar Fuertes e Diego Vallejo serão os líderes da equipa.

A marca sul coreana já está, inclusivamente, em fase de produção de dois carros no nosso País vizinho, mais propriamente em Valência, que substituirão o Tivoli DKR.

Enquanto que algumas equipas se despedem do Dakar, outras como a SsangYong já pensam em redobrar os seus projectos desportivos e anunciam importantes novidades para o próximo ano. A marca sul coreana, que se estreou no Dakar 2018 com um Tivoli DKR de tracção traseira, está encantada com o resultado obtido pelos espanhóis Óscar Fuertes e Diego Vallejo e está decidida a ampliar a sua presença na mitica prova. “Este resultado convidou a marca a pensar em grande e a acreditar que podemos fazer coisas mais interessantes, pelo que no Dakar 2019 estaremos presentes com mais do que apenas um carro. Não sabemos ainda se serão dois ou três, mas é já certo de que serão mais do que apenas um“, declarou Fuertes ao MARCA durante a convenção nacional de concessionários SsangYong que decorreu em Madrid. “Teremos que convencer muita gente: a marca e também os ‘sponsors’ (Yokohama, WashTec…), mas as coisas já estão pensadas e apenas falta o OK definitivo“, acrescentou o piloto madrileno, bicampeão de Espanha de ralis de terra e ex-aluno de Carlos Sainz.

De acordo com as declarações de Fuertes, a equipa Herrador Motorsport, que presta serviços de ‘rally service’ à SsangYong, já está a fabricar dois carros em Valência, a partir de um chassis completamente novo, para o Dakar 2019. “O novo chassis já está em desenvolvimento. Quem tem de trabalhar, já está a trabalhar, e certo é que estão dois carros em desenvolvimento/produção“. O espanhol assumiu que o embrião do novo projecto nasceu ainda antes de se estrearem no Dakar, e que o bom resultado conseguido foi o impulso definitivo. “Já estávamos a trabalhar neste projecto antes mesmo de irmos ao Dakar 2018. é um facto que não teríamos avançado com nada se este Dakar tivesse sido um fracasso, mas ao ser um êxito pusemos imediatamente em marcha o que tínhamos planeado“, explicou.

Ampliar a equipa é uma das chaves para aspirar a desafios mais ambiciosos, opinou Fuertes, que valoriza, obviamente, o conseguido pela SsangYong com apenas um carro “Levar para outro continente uma estrutura com apenas um carro inscrito… foi um desafio enorme porque pões os ovos todos no mesmo cesto e não tens apoios complementares. A Peugeot levava quatro carros mais os dois de apoio; perdeu um e, de seguida, perdeu outro dos de apoio. A Mini perdeu metade dos carros tal como a Toyota. Nós não podíamos perder nenhum porque apenas tínhamos um! A solução para o próximo ano é aumentar a estrutura e, de alguma forma, ter mais suporte para o podermos fazer bem. Individualmente, se levas um companheiro com um carro igual tens muito a ganhar com isso. Veja-se Despres, o trabalho que fez para Sainz e Peterhansel“, referiu o piloto.

Ir ao Dakar com um único carro foi uma grande responsabilidade“, acrescentou Diego Vallejo. O objectivo que traçaram é o ‘top 20’. O objectivo da equipa é melhorar consideravelmente o resultado alcançado no passado Dakar, onde terminaram na 32ª posição (de referir que apenas terminaram 43 participantes dos quase 100 inscritos na categoria de autos) e foram também a segunda melhor dupla de ‘rookies’.

A verdade é que o Dakar me motiva muito e estou desejoso por contribuir para que se faça um carro melhor e mais potente. Este ano chegámos a estar na 24ª posição e não me parece despropositado pensarmos em montar uma estrutura para nos classificarmos entre os 20 primeiros na próxima edição. Sabemos que o que fizemos este ano foi viver uma grande aventura, mas aprendemos muito“, comentou Fuertes. “O objectivo será terminar entre os 20 primeiros, que não será nada fácil mas acreditamos ser fazível“, avaliou Vallejo, ex-copiloto do Mundial de ralis e, ele sim, com grande experiência no Dakar. “Para mim, o Dakar é como uma vitrina. Até agora tenho conseguido acabar todos aqueles em que participei ao lado de diferentes pilotos“, recorda o galego.

oscar fuertes dakar 2018

Korando, Rexton, Actyon, Rodius…SsangYong, que acaba de lançar o novo Rexton, pretende imitar a fórmula que tão bom resultado propiciou à Peugeot no Dakar e em breve apresentará um novo protótipo inspirado nalgum modelo da sua larga gama de todo-o-terreno. É quase certo que o carro de 2019 não será um Tivoli. “Está bastante claro para nós que faremos uma evolução do carro com que participámos este ano. Continuará, é claro, a ser um SsangYong e o conceito base continuará a ser um buggy de duas rodas motrizes, mas não sabemos se voltará a ser um Tivoli“, anunciou Fuertes.

A Peugeot fez assim: foi mudando de carro todos os anos e nunca repetiu um carro. Enquanto foram introduzindo pequenas modificações, construíram diferentes chassis partindo de premissas já testadas. Eu creio que num conceito tipo ‘buggy’ se podem alterar algumas coisas com alguma liberdade, com alguma agilidade e que, na prática, funcionem“, explicou o piloto de Madrid. “Trata-se de melhorar o que temos, porque vimos alguma coisa que se podia melhorar. Não é que fossem más, mas certas coisas podem ser optimizadas como, por exemplo, ao nível da suspensão, da direcção, travões e até o peso. São pequenos detalhes mas que todos juntos podem fazer com que o carro sofra melhorias bastante significativas“, acrescentou Vallejo.

A estrutura da equipa SsangYong continuará a ser completamente espanhola, mas não descartam a hipótese de incorporar algum piloto de outra nacionalidade. “A base da estrutura, a parte técnica e da logística queremos que seja espanhola. O que não prometemos é que se houver mais pilotos sejam todos espanhóis“, adiantou Fuertes, que venha quem vier para a equipa será ele o líder do projecto.

Ainda falta muito tempo, gostaria muito de voltar para casa com um troféu. Certo mesmo é que vou correr o próximo Dakar“, afirmou Vallejo. Oito meses para trabalhar! A SsangYong tem oito meses a partir de agora para terminar e definir o projecto e completar o trabalho de desenvolvimento. “Não temos um calendário pré-definido, mas sabemos que temos que fazer as coisas acontecerem. Em primeiro lugar há que trabalhar no novo chassis e a seguir a isso segue-se a ordem de trabalhos habitual, ou seja, no primeiro semestre construir e deixar tudo definido, e no segundo semestre para podermos testar e fazer os testes de rendimento. Feitas as contas afinal não temos assim tanto tempo. Já estamos em meados de Fevereiro e tudo tem que estar terminado em Novembro. Efectivamente há oito meses e oito meses não é muito tempo“, advertiu Fuertes.

A equipa está espantada com a repercussão que teve a sua participação no Dakar 2018 “Honestamente, estou um pouco espantado pelo que significa o Dakar. Não imaginava que tinha tanta difusão mediática, tanta repercussão e tanta atenção.