RallySpirit Altronix ou... um saudável conflito de gerações!

RallySpirit Altronix ou… um saudável conflito de gerações!

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RallySpirit Altronix ou… um saudável conflito de gerações!

Magnífica actuação de Ari Vatanen e regresso de Armindo Araújo levam público ao rubro

  • Ari Vatanen brilhou na simpatia e no espectáculo que deu com o mítico Ford Escort WRC  
  • Armindo Araújo encantou espectadores num regresso muito esperado
  • Vitórias para Valter Gomes (Porsche) nos “Históricos” e Pedro Leal (Mitsubishi) nos “Spirit 
  • Prova embelezada pelo cenário da Marginal e Mosteiro da Serra do Pilar em Vila Nova de Gaia, e pelas classificativas do Coronado 

 

Viajar no tempo faz ainda parte da uma realidade distante e utópica. Mas para os amantes do desportivo automóvel, a terceira edição do RallySpirit permitiu recuar na história e viver momentos únicos de revivalismo, com a presença de alguns dos mais icónicos carros de ralis de todos os tempos, a que se juntaram pilotos que escreveram algumas das mais belas páginas da história do automobilismo mundial e nacional.

Mas, durante dois dias, entre Vila Nova de Gaia e a Vila do Coronado, o passado “andou de mãos dadas” com o presente uma vez que, no mesmo palco, o RallySpirit Altronix também juntou os pilotos e máquinas da última geração, que, sem preconceitos, conviveram, pintando um quadro emocional “sui generis”.

Tão importante como o espectáculo desportivo proporcionado pela organização da Xikane e do Clube Automóvel de Santo Tirso foi o ambiente de descontracção que é também já uma das imagens de marca do evento. Os espectadores tiveram o invulgar privilégio de conviverem informalmente com os seus ídolos, muitos aproveitando para tirar “aquela” selfie com o seu carro preferido como pano de fundo, fosse ele um elegante Alpine-Renault, um vestuto Fiat 131 Abarth, um respeitável Renault 5 Turbo, um venerável Lancia 037 ou uns mais comuns, mas sempre admiráveis Ford Escort ou Porsche 911 de diferentes gerações, sem esquecer a célebre Renault 4 L que fez algumas provas do Campeonato do Mundo de Ralis e não podia também deixar de lançar o seu charme no RallySpirit Altronix.

Em três parágrafos explica-se então o sucesso de mais uma edição do RallySpirit Altronix, num exercício, apesar de tudo, redutor para a amplitude das emoções vividas por todos os fãs do automobilismo e dos muitos curiosos que facilmente criaram empatia com o evento pelo jogo de sensações oferecido.

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Não é todos os dias que se vê em acção um ex-Campeão do Mundo de Ralis como Ari Vatanen, a guiar um mítico Ford Escort WRC. Não é todos os dias que se assiste ao regresso à actividade de um Bicampeão do Mundo de Ralis (PWRC), como Armindo Araújo, ou de um Campeão do Mundo FIA de Grupo N, como Rui Madeira. À parada de estrelas juntaram-se mais três campeões nacionais de ralis – Adruzilo Lopes, Bernardo Sousa e Pedro Meireles -, numa lista de ilustres nomes do automobilismo, sempre prontos para dar o seu contributo para um espectáculo de luxo.

Mas foi, naturalmente, Vatanen que concentrou as maiores atenções, com aquele que é um dos expoentes máximos da geração dos míticos “finlandeses voadores” a mostrar-se plenamente satisfeito com este regresso a Portugal. “Gostei muito de voltar a Portugal, num rali bem organizado, com bons troços e um excelente ambiente. Foi óptimo sentir que a paixão pelos ralis continua viva em Portugal, com um público conhecedor e entusiasta, assim como voltar a guiar o Ford Escort WRC, que me tinha acompanhado nos últimos anos da minha carreira de WRC. Claro que o ritmo já não foi o mesmo, até porque estava no RallySpirit para dar espetáculo e não para lutar contra o cronómetro, mas, mesmo assim, só posso dizer que me diverti imenso”, revelou, à chegada a Vila Nova de Gaia, o piloto de 65 anos e que ostenta o título de Campeão do Mundo de Ralis de 1981 e de “campeão da simpatia”.

Também para Armindo Araújo, a estrela portuguesa de ralis com melhor palmarés internacional, o RallySpirit Altronix foi uma excelente oportunidade para reviver as sensações únicas que os ralis proporcionam. O Bicampeão do Mundo de PWRC levou ao rubro o público com a sua condução espetacular, num Mitsubishi Lancer Evo IX igual ao que conquistou os dois títulos mundiais, referindo que “foi uma prova fantástica, onde relembrei o ambiente e a popularidade dos ralis, que tem tudo a ganhar com este tipo de ‘rally-legends’, um conceito que está a vingar por toda a Europa. Pessoalmente, deu-me gozo regressar, mas foi apenas um regresso esporádico, pois só admitiria voltar ao ativo integrado numa equipa oficial e não tenho planos para isso”.

No capítulo desportivo, a prova contou, também, com todos os ingredientes de sucesso, nas nove Provas Especiais de asfalto disputadas entre Gaia e Coronado. Na Categoria “Históricos”, a luta pela vitória esteve sempre ao rubro, mas o triunfo final terminou nas mãos da dupla Valter Gomes/Fábio Santos, cujo Porsche 911 RSR levou a melhor sobre Opel 1904 SR de Pedro Couceiro/António Duarte, ainda que, com a magra diferença de 4.0s, após uma fantástica recuperação da dupla do Porsche, que se atrasou no primeiro dia de prova. O pódio ficou completo com a equipa espanhola Julio Borja/Adrian Vazquez, em Porsche 911 SC, uma das muitas que chamou à estrada uma grande afluência de galegos.

Na Categoria “Spirit”, Pedro Leal vingou a derrota do ano passado, dominando de fio a pavio, sempre com Isabel Ramalho como navegadora e contando com os fieis serviços e rápidas prestações do Mitsubishi Lancer Evo VI. Mais animada foi luta pelo segundo lugar, que chegou a envolver os Ford Escort MK II de Eduardo Veiga e Gonçalo Figueiroa, bem como o Citroën ZX Kit Car do espanhol Emílio Vazquez e o Citroën C2 S1600 de Luís Delgado. Acabaria, de resto, por ser precisamente Luís Delgado (navegado por André Carvalho), a assegurar, na última classificativa, o lugar intermédio do pódio, com uma escassa vantagem de 1.1s sobre o Escort de Veiga, após mais de 40 km disputados ao cronómetro.

Numa prova que contou com quase 100 participantes e que teve partida e chegada apoteótica na Marginal de Vila Nova de Gaia, Pedro Ortigão, responsável pela Xikane, só podia fazer um balanço positivo de dois dias de intensas emoções: “ficamos muito satisfeitos por termos voltado a reunir um lote de carros muito bom, que proporcionaram um excelente espectáculo, com muita competição, mas sem nunca se perder o espírito de confraternização entre as equipas adversárias. No fundo, voltamos a marcar passo com uma verdadeira festa dos ralis, que, no próximo ano, queremos ainda melhorar e tornar mais apelativa para os milhares de espectadores que, nestas três edições, a ajudaram a crescer e para todos aqueles que ainda não a conhecem”.

Esse é então o objetivo da organização para o RallySpirit Altronix 2018 que terá tudo para voltar a encantar equipas e espectadores e cuja contagem decrescente já começou…

 

 

Classificação final em wwr.stm.pt/spirit2017/results.