Afinal o que é ser "aguadeiro" ou "mochileiro"?

Afinal o que é ser “aguadeiro” ou “mochileiro”?

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Afinal o que é ser “aguadeiro” ou “mochileiro”?

As equipas de fábrica são isso mesmo -> uma equipa! Como tal, contam com um elenco de pilotos, cada um com um objectivo diferente e bem definido.

Para se chegar à vitória numa competição como esta, 2 semanas e milhares de quilómetros percorridos nas condições mais adversas, é necessário um excelente trabalho conjunto. A função dos mochileiros não tem de todo um objectivo classificativo, mas isso sim tem por objectivo ajudar o(s) piloto(s) chefe de fila a chegar à vitória, ou à melhor classificação possível, num trabalho diferente mas que se pode comparar ao das equipas de ciclistas.

Ontem publicámos e tentámos transmitir aos nossos leitores a intensa comoção sentida pelo espanhol, aguadeiro da KTM há 10 anos! Isso, 10 anos! Chorava no pódio!

Gerard Farrés, piloto espanhol, estava emocionado até às lágrimas! Não se cansava de repetir que estava a viver a “materialização de um sonho” depois de 10 anos como aguadeiro e ia explicando que “a chave foi fazer etapa a etapa, estar muito concentrado e ter a ajuda de toda a equipa“. “É fácil de imaginar porque choro. Depois de dez anos como aguadeiro, de passar mal em muitas ocasiões, poder fazer um pódio com toda a equipa, que trabalhou muitíssimo bem, os mecânicos, os pilotos, que nos ajudámos entre todos, não posso estar senão emocionado. Ao fim e ao cabo, este é o trabalho de toda uma equipa e demonstrámos que com uma grande equipa se podem conseguir grandes feitos. Poder estar aqui no pódio é um sonho” concluía.

Este ano, Portugal contou com dois aguadeiros em equipas oficiais: Mário Patrão, na equipa oficial KTM, e Pedro Bianchi Prata na HRC.

Objectivo cumprido! Vim para o #dakar2017 com um objectivo, tive a possibilidade de integrar a melhor equipa do mundo e de estar ao lado de pessoas tão experientes e fantásticas como são todos os membros da KTM Factory Racing. Um enorme prazer!” dizia Mário Patrão no final da prova!

Mário Patrão, é “apenas” o piloto Nacional com mais títulos de TT e enduro nestes 20 anos de carreira. Foram precisos 20 anos até o trabalho dele ser reconhecido por uma equipa de fábrica.

Chegámos a Buenos Aires depois de uma ligação dura de 700 quilómetros. Muita gente à espera da caravana do Dakar mesmo que a competição já tenha terminado. É isto o Dakar. Na especial que se realizou no inicio da etapa tive de esperar quase uma hora pelos pilotos da equipa (a partida foi dada pela ordem inversa) mas esse é o meu trabalho. Cumpri a minha função e está feito mais um Dakar. Nove Dakar começados, nove Dakar acabados. Muito obrigado a todos os que me apoiaram.” Palavras de Bianchi Prata.

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Por estes dias lemos milhares de comentários, crónicas, comunicados de imprensa e, chamou-nos particular atenção o facto de nos termos deparado com alguns comentários particularmente redutores quanto à função e participação dos “aguadeiros”. Por exemplo, Mário Patrão Patrão iria este ano numa estrutura como chefe de fila e abdicou do seus objectivos pessoais (entenda-se, classificativos) para ajudar uma equipa a chegar à vitória. Isso fez com que decidissemos dedicar-lhes um artigo. De cima a baixo só porque eles merecem o nosso, e esperamos que vosso, absoluto respeito!

Falamos de pilotos com um palmarés invejável! Respect!
O nosso obrigado ao Roberto Roxinha que nos deu a ideia e muitas das palavras aqui transcritas.